Muitas pessoas não conhecem curiosidades de outras culturas, que para nós parece até absurdo. Segundo uma pesquisa da ONU, pelo menos 60 milhões de meninas deixaram de viver ou nem mesmo chegaram a nascer, por causa dos abortos seletivos, infanticídios ou abandono, crimes cometidos especialmente na Ásia e norte da África no decorrer das últimas décadas. Quase sempre isso ocorre nos países da janela 10/40, onde grande parte das leis está baseada numa mistura de modelos ocidentais e sempre ligada à cultura. As mulheres, continuamente, são as mais prejudicadas.
A grande preferência por meninos acaba levando as sociedades a investirem mais na educação masculina. Em regiões pobres como Bangladesh, na Ásia, as meninas recebem menos alimento do que os meninos. Segundo a UNICEF, morre mais de um milhão de bebês por ano, por serem do sexo feminino. Na China, Índia e Coréia, os filhos homens têm mais valor econômico e social e, normalmente, os fetos do sexo feminino são abortados. Na Índia, a rejeição a bebês do sexo feminino transforma parteiras em carrascos. Quando se constata que a criança é menina, a parteira a segura com firmeza pela cintura e quebra-lhe a espinha. Nos orfanatos chineses, os bebês do sexo feminino são abandonados num quarto escuro até morrerem de fome ou frio.
Em toda Ásia, a matança de fetos e bebês do sexo feminino já atinge proporções assustadoras. O jornal Wenhui Daily, de Xangai, publicou a seguinte nota: "No final deste século, nosso país terá um exército arruaceiro de 70 milhões de homens solteiros" As autoridades já criaram uma lei, que passou a vigorar em 1º de junho, proibindo os médicos chineses de revelar o sexo do feto.
Em algumas regiões da Índia, exames de ultra-sonografia já determinam o destino do feto. Em fevereiro deste ano, o operário paquistanês Farmaish Ali matou três filhas após sua mulher dar à luz a terceira menina. A mãe gritou e desmaiou no chão do quarto, em meio a uma poça de sangue. No Paquistão, a chegada de um filho homem é muito festejada. O mesmo não acontece no nascimento de uma menina.
Fonte: Revista Ester. Ano 2001, nº 03 |