A cura do cego Bartimeu está entre os muitos milagres que Jesus realizou em seu ministério terreno. Ele ficava à beira do caminho, próximo a Jericó. Ao ouvir um barulho incomum, perguntou a alguém o que estava acontecendo. Disseram-lhe que era Jesus de Nazaré que estava passando por ali, aquele que, por onde passava, ressuscitava mortos, fazia coxos andar, mudos falar e cegos ver, expulsava demônios e operava tantos outros milagres. Bartimeu entendeu imediatamente que aquela era a oportunidade que tinha para viver a transformação que tanto almejava na vida. Queria ver, enxergar a luz do sol, as pessoas, as coisas, ver tudo, ter a visão limpa para se guiar sozinho e viver normalmente.
Percebendo isso e ouvindo o barulho se aproximar rapidamente e já se deslocar de si, pôs-se a gritar, um grito íntimo e desesperador que só alguém angustiado, necessitado e aflito como Bartimeu poderia dar. “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim”, disse ele repetidas vezes. Ele queria ser ouvido de qualquer modo, precisava que o Senhor parasse de caminhar e solucionasse o seu problema. As pessoas diziam para ele se calar, para que não incomodasse o Mestre. Mas Bartimeu não desistiu, antes alçou mais ainda a sua voz, clamando pela misericórdia do “filho de Davi”. De repente Jesus parou. Parou porque ouviu que alguém o gritava além daquele tropel todo, era um grito de uma alma angustiada, necessidade e confiante. Ao gritar “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim”, era como se o cego lhe dissesse: não há na sociedade alguém que possa resolver o meu problema, eu não só preciso de ti como creio piamente que o Senhor pode me curar. “Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim”. Jesus perguntou o que ele desejava, desejava ver, então lhe devolveu a visão imediatamente. Bartimeu pulava de alegria e adorava a Deus por ter tido a visão restaurada.
Como já dissemos, esse foi um dos muitos milagres que o Senhor operou entre os homens naqueles dias. A vida de Bartimeu é uma prova irrefutável do poder de Deus acima de qualquer debilidade humana. Jesus curou e ainda pode curar qualquer enfermidade que assole os homens. Ele é poderoso para isso.
Mas essa cura nos leva a uma reflexão sobre algo muito mais profundo que pode nos atingir. Quando se trata da mensagem de salvação de Cristo sendo levada a todos os homens, do desenvolvimento e progresso da obra missionária no mundo, notamos que muitos se encontram à beira do caminho, como o cego Bartimeu, à margem das ações de Deus e da prioridade de vida de cada um de nós, como Igreja do Senhor: levar a salvação de Jesus aos homens. Há os que nunca tiveram visão apurada para a obra missionária, que não apóiam; há outros que estão com os olhos postos em outras coisas, não na salvação dos homens; mas há também os que se dedicam e se empenham para que o evangelho seja pregado entre os homens, a despeito de qualquer obstáculo. “Os campos estão brancos para a ceifa, mas os trabalhadores são poucos”.
Não se trata apenas de compromissos formais com a obra missionária, como carnês, cartas de oração, etc. Essas coisas são importantes quando são apenas meios pelos quais passam a nossa ação. O importante é estar com a “mão na massa”, trabalhando de uma forma ou de outra, seja colaborando financeiramente, seja apoiando as ações da igreja, seja evangelizando nas ruas, seja orando pelos missionários, empreendendo com a visão de Deus (1 Sm 30.24).
Deus quer que estejamos compromissados com essa tarefa que ele negou aos anjos e nos deu (1 Pe 1.12). Aos que estão empenhados na obra missionária, que continuem nessa mesma visão. E aos que por algum motivo não estão, que o Espírito Santo encha seus corações daquele sentimento colocado no coração do cego Bartimeu, para que o Senhor restaure a visão da obra e passem a enxergar diariamente de forma nítida a necessidade espiritual dos homens. Jesus, filho de Davi, tem compaixão de nós!
PR. ESEQUIAS SOARES
Diretor-Presidente da Além-Mar Missões Transculturais |