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Em favor dos homens
Por Pr. Esequias Soares

“Abre a tua boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham em desolação” (Pv 31.8). Este foi um dos profundos conselhos que a mãe do rei Lemuel lhe deu. É profundo porque, dentre as muitas coisas que se pode depreender destas palavras, está a necessidade de homens e mulheres usarem a posição em que se encontram para defender e auxiliar pessoas.

São muitos os exemplos na Bíblia de pessoas que não perderam a oportunidade de lutar pelos outros. Jônatas rogou ao rei Saul que não cometesse nenhum mal a Davi, pois este era um homem de bem e não tinha cometido nenhum pecado contra ele. Davi não estava lá para se defender e, Jônatas, como amigo verdadeiro que era, o fez (1 Sm 19.4).

Ester também não decepcionou aqueles que esperavam sua intervenção. O rei não a chamava à sua presença já havia algum tempo; o ardiloso Hamã já tinha a chancela real para exterminar todos os judeus em um só dia; o sábio Mardoqueu enxergou que bem poderia ser que ela tivesse chegado àquela posição para usar de sua influência e salvar o povo; então Ester pediu que todos os judeus jejuassem por ela, pois iria entrar na presença do rei ainda que isto lhe custasse a própria vida (Et 4.16); ela sabia que o rei poderia não ver a sua atitude com bons olhos e não estender o cetro de ouro, gesto que aniquilava a sentença. No entanto, arriscou-se em favor daqueles que não podiam se defender. Jó, em suas lamentações, diz que sempre se pôs em favor dos necessitados, fazendo pelos outros aquilo que estivesse ao seu alcance. Os juizes foram usados por Deus para defender os israelitas das mãos dos seus opressores.E muitos outros homens, tanto na Bíblia, quanto na história da igreja, empenharam suas vidas em favor dos necessitados e daqueles que não podiam fazer por si mesmos, como é o caso de Barnabé (At 9.26-27). Muitos se arriscaram e até sofreram danos em defesa da obra de Deus.

Contudo, esses homens e mulheres têm algo em comum em suas vidas: estavam em uma posição que lhes permitia defender os outros e optaram por não recuar em benefício próprio. Mas obviamente nenhum deles pode ser comparado ao que Jesus Cristo fez pelos homens. “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos amigos” (Jo 15.13). Os homens se arriscam em obediência e alguns pagam com a própria vida, e serão recompensados na eternidade. Mas Jesus veio trazer a salvação a toda a humanidade, através do seu sacrifício vicário na cruz. Ele deu a sua vida para que os homens passassem a ter vida, pois estavam todos mortos e condenados pelo pecado. Ele se doou em favor da humanidade, que se achava em total desolação. Jesus morreu, ressuscitou ao terceiro dia, ascendeu-se ao céu e está à direita do Pai intercedendo por nós.

Com o seu sacrifício, Ele nos deu o maior exemplo de obediência, coragem e humildade. Muitos homens, por amor à obra de Deus, se colocaram em favor dos que, por algum motivo, se achavam indefesos e desolados. Eles optaram por não recuar diante de uma obrigação inerente a nós, igreja atual: abrir a nossa boca em favor dos mudos e pelo direito de todos os que se acham em desolação.

A vida está em Cristo, o mundo perece na corrupção a cada dia mais, desolado e distante de Deus. As palavras de vida eterna de Jesus Cristo estão em nós e conhecemos Aquele que pode todas as coisas. À nossa volta estão muitos que precisam de nós de alguma forma. E estamos em posição de interceder e lutar para que o destino dos “mudos” e “desolados” seja outro.

PR. ESEQUIAS SOARES
Diretor-Presidente da Além-Mar Missões Transculturais

 
 
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